Baltasar Lopes da Silva [1906-1989] · Museu Virtual da Educação, Cabo Verde

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Baltasar Lopes da Silva [1906-1989]



Ficha Técnica

Número

EDU/NBI/001

Designação

Baltasar Lopes da Silva [1906-1989]

Descrição

Baltasar Lopes da Silva, educando e educador

Baltasar Lopes da Silva, filho de Pedro Lopes da Silva e de Maria José de C. Lopes da Silva, nasceu em 1906, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, ilha de São Nicolau, Cabo Verde.
No ano lectivo de 1916/17 matriculou-se, como aluno externo, no Seminário de S. Nicolau, tendo concluido o 1º ano do curso Prepatório, em 1917 e passado automaticamente para o 1º ano do curso liceal (fez o 2º ano no ano lectivo 1919/20) (Lopes. 2011). No Liceu Infante D. Henrique, em Mindelo, frequentou a quarta e quinta classes. Em Maio de 1922, apresentou-se ao exame do 5º ano do curso geral, que conclui com a classificação de 18 valores (idem). Continuou os estudos em Lisboa, no Liceu Camões (1922-23), onde se matriculou no sexto ano da secção de Letras e estudou o sétimo ano, em simultâneo (idem). Na Univerrsidade de Lisboa, concuiu, em 1928, a licenciatura em Direito  com "a classificação final de 17 valores nos cinco "Exames de Estado" (idem). Nos 4º e 5º anos de Dirito, acumulou com o 1º e 2º anos do curso de Filologia Românica", que terminaria em 1930, "com a classifcação final de 17 valores" (idem).
Regressou a Cabo Verde, tendo sido "nomeado professor supra-numerário do Liceu Infante D. Henrique, por Portaria de 2 de Dezembro de 1930" (cf. doc. Verba Orçamental", s.d.).
Exerceu o magistério liceal durante 43 anos (1930-1973). Como Leão Lopes destaca, na obra Baltasar Lopes: um homem arquipélago na linha de todas as batalhas, foi "um dos raros professores o único licenciado caboverdiano na carreira docente, pelo menos na época, que concluiu o curso de Ciências Pedagógicas e o Exame de Estado" (2011, p. 382).  Foi nomeado Vice-reitor (1945) e Reitor do do Liceu Gil Eanes, (1949-1960; 1965-1969).
Foi, ainda, advogado, romancista, poeta (usou o heterónimo Osvaldo Alcântara), filólogo e um dos fundadores da revista Claridade. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa (Oliveira, 1998, p. 798). Deu a sua última aula em 1972.
Da colaboração na imprensa, destacamos os seguintes artigos sobre a educação e cultura cabo-verdianas:
“As ilhas adjacentes de Cabo Verde no sistema administrativo da metrópole” (Notícias de Cabo Verde, 1931); “Abertura solene do ano escolar no Liceu «Gil Eanes»” (O Arquipélago, 1955); “Forma e substância” (Mocidade, 1956); “Existe uma civilização caboverdiana?” (Cabo Verde. Boletim de Propaganda e Informação, 1957); “O Sr. Dr. Baltazar Lopes da Silva visita a nossa escola e responde a um questionário-relâmpago” (Alvorada Técnica, 1963) e “Inauguração do novo liceu” (O Arquipélago, 1967). Foi o autor do projeto da Associação dos Antigos Alunos do Liceu Gil Eanes (1967).
Consultar: Em Observações outras facetas de Baltasar Lopes da Silva, desportista e intelectual.

Bibliografia

Lopes, José Vicente (2002). Cabo Verde: os bastidores da independência. Praia: Spleen Editora.
Lopes, Leão (2011). Baltasar Lopes: um homem arquipélago na linha de todas as batalhas. Itinerário biográfico até ao ano de 1940. Mindelo: Ponto & Vírgula Edições.
Mariano, Gabriel (1977). Osvaldo Alcântara e o caçador de heranças. Mindelo: Ponto & Vírgula Edições.
Oliveira, João Nobre de (1998). A imprensa cabo-verdiana (1820-1975). Macau: Fundação Macau.

Investigador

Maria Adriana Sousa Carvalho

Observações

Outras facetas de Baltasar Lopes da Silva, desportista e intelectual (notas baseadas na Biografia, da autoria de João Nobre de Oliveira (1998, pp. 796-798):
Foi desportista, desde jovem, tendo praticado atletismo e futebol. Em Cabo Verde foi eleito Presidenteda Direcção da Federação Desportiva de S. Vicente (1932).
Desenvolveu uma intensa actividade como poeta, contista, ensaísta e conferencista de mérito. Foi a grande figura da Mesa Redonda sobre o Homem Cabo-verdiano, realizada em 1956.  Foi, juntamente com Jorge Barbosa e Manuel Lopes, fundador e colaborador da revista Claridade. O seu romance mais conhecido é Chiquinho (1947). Dedicou-se ao estudo e defesa do crioulo e escreveu O Dialecto Crioulo de Cabo Verde (Lisboa, 1957). Publicou o folheto Cabo Verde visto por Gilberto Freyre.
A sua obra figura em várias antologias literárias: Poesia de Cabo Verde (Lisboa, 1944); Antologia da poesia negra de expressão portuguesa (Paris, 1958); Antologia da Ficção Cabo-Verdiana Contemporânea (Praia, 1960); Modernos poetas caboverdianos – Antologia (Praia, 1961); Poetas e contistas africanos (São Paulo, 1963); Antologia da Terra Portuguesa – Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Macau e Timor (Lisboa, s.d); Literatura africana de expressão portuguesa (Argel, 1967); La poesie africaine d’expression portugaise (Paris, 1969); Contos portugueses do Ultramar (Porto, 1969); Antologia do conto ultramarino (Lisboa, 1972); Literatura ultramarina (Lisboa, 1972); No reino de Caliban (Lisboa, 1975); Antologia temática da poesia africana I (Lisboa, 1976); Sonha Mamana África (S. Paulo, 1988; 50 poetas africanos (Lisboa, 1989); etc. (Oliveira, 1998, p. 798). Publicou  o Cântico da manhã futura (Praia, 1986) e  Os trabalhos e os dias (Lisboa, 1987).

Especificações

Data de Nascimento

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