Quartel e Correio – edifício onde funcionou o Liceu de Mindelo (Liceu Infante D. Henrique; Liceu Gil Eanes) · Museu Virtual da Educação, Cabo Verde

Procurar usando este tipo de interrogação:



Procurar apenas estes tipos de registos:

Objeto
Ficheiro
Coleção
Página Simples

Pesquisa avançada (apenas objetos)

Quartel e Correio – edifício onde funcionou o Liceu de Mindelo (Liceu Infante D. Henrique; Liceu Gil Eanes)



Ficha Técnica

Número

LM/EEQ/002

Designação

Quartel e Correio – edifício onde funcionou o Liceu de Mindelo (Liceu Infante D. Henrique; Liceu Gil Eanes)

Nível de Ensino

Ensino liceal

Descrição

Face à exiguidade das instalações na Casa do Senador Vera Cruz, o Liceu de Mindelo foi instalado, em 1921, no Quartel do Corpo da Polícia e Guarnição (Oficio do Reitor, de 13 de Outubro de 1921). A partir de 1924, denominou-se Liceu Infante D. Henrique e, em 1938, passou a designar-se Liceu Gil Eanes.
No ano da transferência do liceu para este edifício (1921), foi aprovado o projecto de «transformação do Quartel Antigo e frontispício do Liceu, a fim de se instalar a Estação Postal» e o de «construção de um andar sobre o corpo central do mesmo para a Repartição Superior dos Correios e Telégrafos», que ficou neste imóvel, no ano 1924 até aos anos quarenta (Linhas gerais da história do desenvolvimento urbano da cidade de Mindelo, 1984, p. 170). As obras de instalação do liceu (construção do primeiro andar) foram concluídas em finais de 1932. Em finais dos anos trinta, o Reitor Joaquim Jaime Simões sugeria aproveitar-se “o prédio em construção que se encontra no quintalão do Liceu […] onde se poderia “fazer nele um balneário” (Relatório, 1938/1939, p. 28). No início da década de quarenta, a situação das instalações do liceu deteriorou-se “por motivos estranhos aos serviços docentes e relacionados com a permanência do Corpo Expedicionário […], pois o Salão da Biblioteca está presentemente servindo de Câmara Municipal” (Relatório, 1940/41, p. 1). Esta situação foi resolvida com a conclusão de “um edifício anexo ao liceu completado pelo Quartel General, onde foi instalada a Câmara” (idem).
Segundo o Arquiteto José Manuel Fernandes, “a fachada exibe uma expressão geral marcada por elementos oitocentistas com vãos de arco perfeito e platibanda moldurando um conjunto de quatro janelas com desenho tripartido, a recordar os liceus de Lisboa, por Ventura Terra” (Site Património de influência portuguesa, FCG). O edificio é dominado, simbolicamente, por um zimbório central, “conhecido entre muitas gerações de alunos por lugar de mistério, povoado por «canelinhas», «gongons» e fantasmagorias amedrontadoras” (Saial, 2006).
Apesar da imponência deste edifício, desde 1945, aludia-se à necessidade de se construir um edifício para o liceu. O Reitor defendia que “numa colónia pobre, onde os estudantes não encontram nas suas residências suficientes condições para bem cumprirem a sua obrigação uma casa onde todo o labor se concentrasse” (Relatório, 1945/46, pp. 1-2). Três anos mais tarde, o Reitor afirmava: “Saído de sucessivas adaptações (quartel, depois, simultaneamente, liceu e direcção dos serviços dos correios, de que não se desprendeu ainda totalmente). O prédio (…) cuja frequência se situava na ordem dos 300 alunos, está contraindicado agora (um agora que vem de há cerca de oito anos) que o liceu é mais procurado e a frequência duplicou” (Relatório, 1957/58, p. 38).
Finalmente, em 1968, foi inaugurado um edifício construído de raiz para o liceu, onde, ainda hoje, está instalado. Após a saída do Liceu Gil Eanes, neste prédio funcionou a Escola Primária João Belo e, depois da independência, a Escola Preparatória Jorge Barbosa (Fernandez, 2010). Presentemente, é património da Universidade de Cabo Verde. Nele, estão instalados a Reitoria, o Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade e o M_EIA (Mindelo Escola Internacional de Arte).
Consultar:
Galeria - fotografias do edifício em várias épocas.

Data

Inicio da construção em 1859. O liceu ficou instalado neste edifício entre 1921 e 1968.

Localização

Praça Dr. Duarte Silva, Mindelo, ilha de S. Vicente. Era conhecido como Largo da Parada (fechado ao público) e, quando aberto, Largo do Liceu ou Pracinha do Correio.
Apos a independência foi designado Praça Zimbabwe (Linhas gerais da história do desenvolvimento urbano da cidade de Mindelo, 1984, p. 170). Atualmente chama-se Pracinda do Liceu.

Estado de Conservação

Deficiente

Bibliografia

Carvalho, Maria Adriana Sousa (2011). O Liceu em Cabo Verde: um imperativode cidadania (1917-1975). Praia: Edições Uni-CV:
Fernandes, José Manuel. Mindelo [Porto Grande], ilha de São Vicente, Cabo Verde: Enquadramento histórico e urbanístico. H.P.I.P. Património de Influência Portuguesa, Fundação Calouste Gulbenkian.
Marques, Vera & Fernandez, Yamilla (2010). Inspecção e Diagnóstico do Liceu Velho. Mindelo: Centro de Investigação e Desenvolvimento Local e Ordenamento de Território (CIDLOT), Uni-CV.
Ministério da Habitação e Obras Públicas (1984). Linhas gerais da história do desenvolvimento urbano da cidade de Mindelo. Praia: Edição do Fundo de Desenvolvimento Nacional, Ministério da Economia e Finanças.
Ofício do Reitor, de 3 de Outubro de 1921. Fundo SGG, Arquivo Histórico Nacional, cxª 666.
Relatório do Reitor de Liceu Gil Eanes, 1938/39. Fundo SGG, Arquivo Histórico Nacional, cxª 240.
Relatório do Reitor de Liceu Gil Eanes, 1940/41. Fundo SGG, Arquivo Histórico Nacional, cxª 240.
Relatório do Reitor de Liceu Gil Eanes, 1944/45. Fundo SGG, Arquivo Histórico Nacional, cxª 240.
Relatório do Reitor de Liceu Gil Eanes, 1957/58. Fundo SGG, Arquivo Histórico Nacional, cxª 240.
Saial, Joaquim,  Torre-lanterna do antigo Liceu Gil Eanes. Lisboa: Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde. http://www.saial.info/índex [Data de acesso: 23/8/2006].

Investigador

Maria Adriana Sousa Carvalho

Partilhar