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Edifício do Liceu da Praia



Ficha Técnica

Número

LP/EEQ/003

Designação

Edifício do Liceu da Praia

Nível de Ensino

Ensino liceal

Descrição

Um ano após a instalação da Secção do Liceu Gil Eanes na Praia numa casa particular, o Boletim de Propaganda e Informação anunciava que os trabalhos de construção do grande edifício para as instalações do Liceu, se tinham iniciado no dia 23 de Fevereiro “com grande contentamento geral” (Fevereiro, 1956, p. 30). Em Julho de 1960, a Secção do Liceu Gil Eanes foi transferida para o novo edifício, que acolheu condignamente o ensino liceal na cidade da Praia.
Por decreto nº 43.158, de 8 de Setembro desse ano (Boletim Oficial, nº 39, 24 de Setembro de 1960), foi criado um liceu autónomo na capital da província de Cabo Verde. O Boletim de Propaganda e Informação, de 1 de Outubro de 1960 noticiava: “Para este novo Liceu de Cabo Verde foi construído um modelar edifício comportando uma população escolar superior a 800 alunos. Inaugurado em 10 de Junho passado irá receber os seus alunos que hão-de primar pela sua compostura e dedicação ao estudo”.
Lourenço Gomes na obra Urbe, memória e crítica de arte dedicada ao Centro Histórico da Praia, descreve o edifício do Liceu da Praia: “O edifício apresenta uma estrutura em ‘L’ que ostenta no lado menos alongado uma entrada, com escadaria monumental (…). Destaca-se no edifício a torre, que divide a estrutura mais alongada em dois lados e ostenta, em cada um dos flancos, conjuntos de janelas encaixadas em molduras idênticas, no primeiro e no segundo piso. (…) A torre ostentava um relógio e a esfera armilar, que devia estar situada acima da cobertura da torre a quatro águas (…). No plano inferior da edificação, ao nível do soco, foi aplicado um ornamento estruturado através duma solução que recorre a finíssimos calhaus, tomados como material nobre, de resto um dos desígnios da arquitetura Déco que, misturados com cimento, se impõem de forma resistente ao tempo. A mesma ornamentação é aposta nos extremos da parede. (2013, pp. 157-161).
Na praça circular, em frente ao liceu, foi colocado um monumento em mármore branco, que representa uma vela (1960). Lourenço Gomes presume que o artista que o concebeu “faça parte da mesma escola dos artistas Leopoldo de Almeida e Cottinelli Telmo, que criou o padrão dos descobrimentos erigido em Belém” (2011, p. 153). Tal como o próprio liceu em si mesmo, é um monumento comemorativo do V centenário da morte do Infante D. Henrique e do Meio Milénio do Achamento de Cabo Verde, traduzido na inscrição, que realça as balizas cronológicas: 1460-1960. O monumento é esculpido na parte superior com elementos da ciência náutica – instrumentos de navegação, uma caravela e a cruz de Cristo. Ostenta a inscrição “Por mares nunca antes navegados”.

Data

O liceu foi inaugurado no dia 10 de Julho de 1960, conforme a inscrição na placa comemorativa deste ato: CENTENÁRIO DA MORTE DO INFANTE D. HENRIQUE E DO MEIO MILÉNIO DE ACHAMENTO DE CABO VERDE FOI ESTE EDIFÍCIO INAUGURADO POR S. EX. O GOVERNADOR TENENTE-CORONEL DO O.E.M. ENG. SILVINO SILVÉRIO MARQUES NO DIA 10 DE JUNHO DE 1960.

Localização

Largo de Chapuzet (em homenagem ao Governador João da Mata Chapuzet), que ocupa parte da área conhecida pela denominação mais comum de Montagarro, porque, segundo António de Paula Brito no seu centro erguia-se por volta de 1890 um belo depósito de água que vinha da nascente com a mesma designação situada a 3 kms de distância da cidade (Gomes, 2011, p. 419).

Estado de Conservação

Bom

Bibliografia

Boletim Oficial de Cabo Verde, nº 39,  24 de Setembro de 1960.
Boletim Oficial de Cabo Verde, Supl. nº 36, 8 de Setembro de 1962.
Boletim Oficial de Cabo Verde, nº 17, 26 de Abril de 1975.
Cabo Verde Boletim de Propaganda e Informação, nº 77, 1 Fevereiro 1956.
Cabo Verde Boletim de Propaganda e Informação, nº 133, 1 Outubro 1960.
Carvalho, Maria Adriana Sousa (2013). O Liceu Gil Eanes expande-se para a Praia [anos cinquenta do século XX]. Praia: Edições Uni-CV. In Carvalho, Maria Adriana Sousa & Gomes, Lourenço (Orgs). Memórias do Liceu da Praia. Praia: Edições Uni-CV, pp. 71-121. Carvalho, Maria Adriana Sousa (2013). O liceu na imprena e a imprensa do liceu. Praia: Edições Uni-CV. In Carvalho, Maria Adriana Sousa & Gomes, Lourenço (Orgs). Memórias do Liceu da Praia. Praia: Edições Uni-CV, pp. 171-222.
Gomes, Lourenço (2013). Dimensão estética da obra arquitectónica e largo envolvente. In Carvalho, Maria Adriana Sousa & Gomes, Lourenço (Orgs). Memórias do Liceu da Praia. Praia: Edições Uni-CV, pp. 151-170. Gomes, Lourenço (2011). Urbe, memória e crítica de arte: Centro Histórico da Praia – Extremo Sul (de 1840 à actualidade). Praia: Edições Uni-CV. Mocidade, 12 de Abril de 1956.
O Arquipélago nº 25, de 3 de Janeiro de 1963.
O Arquipélago nº 35, de 21 de Março de 1963.
O Arquipélago nº 166, de 14 de Outubro de 1965.
O Arquipélago nº 202, de 23 de Junho de 1966.
O Arquipélago nº 210, de 11 de Agosto de 1966.
O Arquipélago nº 262, de 17 de Agosto de 1967.
O Arquipélago nº 263, de 24 de Agosto de 1967. Pereira, Ana Mafalda Gomes Furtado (2011). Catálogo da Exposição. A Praia de Lobo de Gama e Duarte Fontoura: Principais transformações (1567-1974). Praia: Instituto do Arquivo Histórico Nacional.

Investigador

Maria Adriana Sousa Carvalho

Observações

Dois anos após ter sido criado o “Liceu Nacional da Praia”, passou a designar-se “Liceu Adriano Moreira” (Portaria nº 6.429, de 8 de Setembro de 1962.  Boletim Oficial, nº 36, 8 deSetembro de 1962).
Na época de transição para a independência, por despacho do Ministério da Educação e Cultura, de 24 de Abril de 1975 (Boletim Oficial, nº 17,  26 de Abril de 1975), o “ Liceu Nacional de Adriano Moreira” foi designado Liceu «Domingos Ramos», nome que mantem até ao presente.

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